As paisagens agrárias portuguesas
Portugal apresenta uma grande diversidade de paisagens agrárias que reflectem as condições naturais e a ocupação humana, ao longo dos séculos, e estão na base da delimitação de nove regiões agrárias – sete no Continente e as duas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.
No meio rural é importante destacar o espaço agrário – área ocupada com a produção agrícola (vegetal e animal), pastagens e florestas, habitações dos agricultores e, ainda, infra-estruturas e equipamentos que se relacionam com a actividade agrícola (caminhos, canais de rega, estábulos, etc.).
As paisagens agrárias caracterizam-se pelas culturas, forma e arranjo dos campos, malha dos caminhos e tipo de povoamento.
Os sistemas de cultura dominantes – conjunto de plantas cultivadas, forma como estas se associam e técnicas utilizadas no seu cultivo – apresentam grandes contrastes entre o Norte e o Sul do País, que resultam da influência de factores físicos e humanos. Habitualmente, opõem-se dois sistemas de cultivo – intensivos e extensivos.
Nos sistemas intensivos, o solo é total e continuamente ocupado. Nos tradicionais, é comum a policultura – mistura de culturas e colheitas que se sucedem umas às outras. São sistemas que ocorrem em solos relativamente férteis e abundantes em água, mesmo no Verão, e em regiões onde a mão-de-obra agrícola é numerosa.
Nos sistemas extensivos, não há uma ocupação permanente e contínua do solo. Pratica-se, habitualmente, a rotação de culturas – a superfície agrícola é dividida em folhas que, rotativamente, são, em cada ano, ocupadas com culturas diferentes, alternando os cultivos principais com espécies que permitem melhorar a qualidade do solo ou com pousios – uma folha permanece em descanso, sem qualquer cultivo.
Este sistema tradicional é praticado em áreas de solos mais pobres e secos no Verão, associando-se à monocultura – cultivo de um só produto, frequentemente destinado ao mercado. Actualmente, generalizou-se a mecanização dos trabalhos agrícolas.
Nas paisagens agrárias destaca-se a morfologia – aspecto dos campos no que respeita à forma e dimensão das parcelas e à rede de caminhos.
No Minho, no Litoral Centro e no Algarve predominam as explorações familiares de pequena dimensão constituídas por várias parcelas de forma irregular, encontrando-se quase sempre vedadas – campos fechados – com muros ou renques de árvores e arbustos, que delimitam a propriedade e protegem as culturas da invasão do gado e até do vento.
No Alentejo, predominam as explorações de média e grande dimensão e parcelas vastas de forma regular que, embora actualmente se encontrem vedadas por sebes metálicas, na sua maioria eram, tradicionalmente, campos abertos – sem qualquer vedação.
No Alentejo e em Trás-os-Montes, predomina, de um modo geral, o sistema extensivo, associado aos campos abertos e ao povoamento concentrado.
Um dos aspectos que tem condicionado a modernização e a racionalização da agricultura portuguesa é a estrutura fundiária desordenada, com o predomínio de explorações de pequena dimensão, o que condiciona a introdução de novas tecnologias agrícolas, como a mecanização. O aumento da produção poderia não só tornar o país auto-suficiente, minimizando, por sua vez, a dependência externa e aumentando mesmo a competitividade, mas também melhorar o nível de vida da população rural.
A existência de explorações muito fragmentadas, constituídas por pequenas parcelas geograficamente afastadas (maioritariamente adquiridas por herança), são também um entrave à modernização da agricultura, na medida em que traduzem um aumento dos custos de produção, pois as deslocações implicam sempre perdas de tempo, maior desgaste do material e aumento do consumo de combustível.
Assim, o emparcelamento, ou seja, o redimensionamento das explorações poderá traduzir-se numa mais-valia para o sector, pois, por exemplo, levará:
- a um aumento da produtividade e do rendimento;
- à mecanização racional de um maior número de explorações agrícolas;
- ao aumento do número de culturas por ano (de um modo geral, de uma para duas);
- à introdução de novas culturas e de novas tecnologias;
- ao rejuvenescimento e à modernização dos pomares;
- à diminuição do tempo e do esforço empregues na agricultura;
- ao menor desgaste no uso de máquinas agrícolas;
- a uma diminuição dos custos de produção;
- à melhoria das condições de vida dos agricultores.
Responde às seguintes questões:
1.Refere o número de regiões agrárias existentes em Portugal.
2. Refere as regiões agrárias onde se pratica um sistema de cultura intensivo.
3. Refere as regiões agrárias onde se pratica um sistema de cultura extensivo.